Ansiedade social no trabalho: quando falar em público parece um abismo

 


A história do Luís

Luís é competente, esforçado e dedicado.
Mas sempre que a reunião de equipa se aproxima, o coração acelera. Só de imaginar ter de falar em frente aos colegas, sente um nó na garganta.
Muitas vezes, prefere ficar em silêncio, mesmo quando tem boas ideias. Sente-se invisível… mas, ao mesmo tempo, esgotado por lutar contra si próprio.


Ansiedade social: o que é e como se manifesta

A ansiedade social vai além da timidez comum.
É um medo intenso e persistente de ser avaliado, julgado ou rejeitado pelos outros.
No trabalho, pode traduzir-se em:

  • Evitar reuniões ou apresentações.

  • Dificuldade em dar opiniões ou fazer perguntas.

  • Medo de ser alvo de crítica ou ridicularização.

  • Grande desgaste emocional em situações de exposição.

Se não for cuidada, pode limitar oportunidades de crescimento, reduzir a colaboração e afetar a autoestima.


O que diz a ciência

A ansiedade social é um dos transtornos de ansiedade mais comuns.
Estudos mostram que está ligada a:

  • Maior risco de isolamento profissional.

  • Diminuição da produtividade e da inovação.

  • Maior probabilidade de depressão quando não é acompanhada.

A boa notícia é que existem técnicas eficazes (como treino de competências sociais, exposição gradual e práticas de mindfulness) que ajudam a reduzir o impacto.


O que dizem as Normas ISO

ISO 10018 (Gestão do envolvimento e da competência das pessoas) lembra que o desempenho sustentável de uma organização depende da participação ativa e da voz de todos.
Já a ISO 45003 recomenda que as empresas promovam ambientes psicologicamente seguros, onde os colaboradores sintam confiança para se expressar sem receio de represálias.

Ou seja: lidar com a ansiedade social não é apenas uma questão individual, mas também uma responsabilidade das organizações.


Reflexões para ti

  • Quando deixei de expressar a minha voz por medo do julgamento?

  • O que aconteceria se, em vez de perfeição, partilhasse apenas “um contributo possível”?

  • A minha organização cria espaço seguro para o erro e para a participação de todos?


Exercícios práticos

🌱 1. O “2 minutos de voz”
Em cada reunião, compromete-te a partilhar algo em 2 minutos: uma ideia, uma dúvida, um comentário.
Pequenos passos ajudam a dessensibilizar o medo.

🌱 2. Respiração Quadrada
Antes de falar em público:

  • Inspira em 4 segundos.

  • Segura em 4 segundos.

  • Expira em 4 segundos.

  • Pausa em 4 segundos.
    Repete 3 vezes. Esta técnica regula o sistema nervoso.

🌱 3. O Amigo que Observa
Imagina que o foco não está em ti, mas na ajuda que ofereces aos outros ao partilhar a tua ideia.
Esta mudança de perspetiva reduz a autoconsciência exagerada.

🌱 4. Buddy System (par de apoio)
Combina com um colega de confiança: em reuniões, apoiarem-se mutuamente — sinal de encorajamento, partilha de palavra, feedback positivo.

🌱 5. Diário da Coragem
Regista cada pequena situação em que falaste, mesmo que fosse apenas uma frase.
Celebra progressos em vez de esperar perfeição.


Medir o progresso

Ao longo das semanas, observa:

  • Consegui falar em reuniões X vezes?

  • Como senti o corpo (ansiedade, respiração, ritmo cardíaco)?

  • De 0 a 10, quão orgulhoso me senti por tentar, independentemente do resultado?


Quando procurar ajuda

Se a ansiedade for intensa, constante e limitante, impedindo de desempenhar funções essenciais, é importante procurar apoio psicológico. Terapias baseadas em evidência, como a cognitivo-comportamental, são altamente eficazes no tratamento da ansiedade social.


Um convite

Esta semana, experimenta o “2 minutos de voz”.
Não importa se a contribuição é perfeita. O que importa é quebrar o ciclo do silêncio e dar um passo em direção à tua confiança.


✨ Mensagem final
A tua voz tem valor.
Não se trata de falar alto, mas de permitir que as tuas ideias também façam parte da construção coletiva.
Quando aprendes a enfrentar a ansiedade social com pequenos passos, transformas o medo em presença e a vulnerabilidade em força.

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