A história da Joana
Joana sai do escritório às 18h. No caminho, olha para o telemóvel: dezenas de e-mails por responder.
Uma voz interna sussurra:
– “Se eu sair agora, vão pensar que não sou dedicada…”
Em casa, está presente de corpo, mas a mente continua no trabalho. O jantar com a família transforma-se num monólogo silencioso com os pensamentos.
No dia seguinte, recomeça cansada, culpada e sem energia.
A Joana poderia ser qualquer um de nós.
Porque é tão difícil desligar?
Na sociedade atual, a fronteira entre vida pessoal e profissional tornou-se ténue. O telemóvel trouxe o trabalho para a sala de estar, para a cama, para as férias.
A ciência mostra que a falta de conciliação está associada a:
Stress crónico,
Maior risco de burnout,
Problemas de sono,
Redução da produtividade e da satisfação no trabalho.
E, ao contrário do que se pensa, trabalhar mais horas não significa produzir mais. O desgaste contínuo compromete o desempenho.
O que dizem as Normas ISO
A ISO 45003:2021, dedicada à gestão de riscos psicossociais, recomenda práticas para proteger a saúde mental e promover o bem-estar no trabalho. Entre elas:
Gestão equilibrada da carga de trabalho.
Políticas de flexibilidade (como teletrabalho ou horários ajustáveis).
Clareza de papéis e prioridades, reduzindo a pressão excessiva.
Já a ISO 10018 destaca a importância do envolvimento das pessoas: colaboradores motivados e saudáveis são mais criativos, produtivos e comprometidos.
Ou seja: a conciliação não é um luxo, é um critério de qualidade e sustentabilidade organizacional.
Reflexões para ti
Estou a gerir o meu tempo ou a deixar que o trabalho ocupe todo o espaço?
Quando digo “sim” a horas extra, a quê estou a dizer “não” na minha vida pessoal?
A minha organização promove práticas reais de bem-estar ou apenas simbólicas?
Exercícios práticos
🌱 1. Agenda 80/20
No início da semana, identifica os 20% das tarefas que trazem 80% de impacto.
Faz delas prioridade diária.
Aprende a deixar para segundo plano o que é secundário.
🌱 2. Ritual de Fecho do Dia
Cria um momento simbólico para marcar o fim do trabalho:
Desliga notificações.
Arruma o espaço de trabalho.
Respira fundo e diz mentalmente: “Hoje dei o meu melhor. Amanhã continuo.”
🌱 3. Microcontrato de Conciliação em Equipa
Conversa com colegas ou líderes sobre:
Horário “silencioso” de e-mails.
Limite máximo de reuniões por dia.
Momentos de disponibilidade vs. momentos de foco.
🌱 4. Roda do Equilíbrio
Desenha uma roda dividida em 6 áreas: trabalho, família, amigos, saúde, lazer, desenvolvimento pessoal.
Atribui uma nota de 0 a 10 a cada área.
Observa onde há desequilíbrios e define um pequeno passo para melhorar.
Medir o progresso
No final de cada semana, avalia:
Consegui desligar do trabalho em X dias?
Tive tempo de qualidade com a família/amigos?
Como está o meu nível de energia de 0 a 10?
Estas respostas ajudam a perceber se a balança começa a equilibrar-se.
Quando procurar ajuda
Se a dificuldade em conciliar vida pessoal e profissional se prolongar, afetando saúde, sono e relações, pode ser sinal de risco psicossocial. Nestes casos, procurar apoio profissional (psicólogo, médico ou coach) é um ato de autocuidado e não de fraqueza.
Um convite
Esta semana, experimenta criar o teu Ritual de Fecho do Dia.
Permite-te viver o presente fora do trabalho sem culpa.
Observa como isso impacta a tua energia e a qualidade das tuas relações.
✨ Mensagem final
O equilíbrio entre vida pessoal e profissional não é um mito.
É uma construção diária, feita de escolhas conscientes e de organizações que respeitam o bem-estar.
Quando cuidamos desse equilíbrio, não só somos melhores profissionais, somos também pessoas mais plenas, mais saudáveis e mais felizes.

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