A história da Carla
A empresa onde Carla trabalha adora promover a imagem de “cuidar das pessoas”. Há frutas gratuitas, uma aula de ginástica laboral uma vez por semana e cartazes coloridos a dizer “a saúde em primeiro lugar”.
Mas, na prática, a equipa de Carla trabalha com prazos impossíveis, reuniões intermináveis e pressão constante para estar disponível até fora de horas.
Resultado: Carla sente-se esgotada, desmotivada e desconfiada.
O discurso não corresponde à realidade.
O que é, afinal, um ambiente de trabalho saudável?
Um ambiente saudável não é apenas oferecer benefícios superficiais.
É criar condições reais para que as pessoas se sintam seguras, respeitadas e apoiadas.
Inclui:
Segurança psicológica: poder falar sem medo de represálias.
Ambientes saudáveis previnem problemas de saúde mental, aumentam o envolvimento e fortalecem a confiança entre pessoas e organização.
O que diz a ciência
Estudos demonstram que ambientes de trabalho que integram práticas de bem-estar e prevenção de riscos psicossociais apresentam:
Aumento do engagement,
Maior retenção de talentos,
Melhor desempenho organizacional.
Cuidar das pessoas não é apenas uma escolha ética, é também estratégico.
O que dizem as Normas ISO
ISO 45003:2021: primeira norma internacional focada em riscos psicossociais, fornece diretrizes práticas para criar ambientes psicologicamente seguros.
ISO 10018: sublinha a importância do envolvimento e motivação das pessoas para resultados sustentáveis.
ISO 30414: recomenda transparência na gestão do capital humano, incluindo bem-estar, absentismo e rotatividade.
Ou seja, a saúde mental no trabalho não é “extra”. É parte de uma gestão de qualidade e de responsabilidade.
Reflexões para ti
No meu trabalho, sinto que posso ser eu mesma sem medo?
A cultura da empresa valoriza apenas resultados ou também o bem-estar das pessoas?
Enquanto líder, estou a dar exemplo de práticas de autocuidado ou apenas a exigir desempenho?
Exercícios práticos
🌱 1. Avaliação de Riscos Psicossociais
Anualmente (ou semestralmente), aplica questionários que avaliem: carga de trabalho, relações, clareza de papéis, equilíbrio vida-trabalho.
Resultados devem gerar planos de ação concretos, não apenas relatórios.
🌱 2. Check-ins de Bem-estar
Reuniões rápidas de 5 minutos no início da semana:
Como está a tua energia (0 a 10)?
O que poderia ajudar-te a trabalhar melhor esta semana?
🌱 3. Política do Silêncio Digital
Definir em equipa horários sem e-mails ou mensagens (ex: 19h às 8h).
Permite descanso real e evita a sensação de “estar sempre ligado”.
🌱 4. Plano de Ação Conjunto
Desenhar compromissos em três níveis:
Indivíduo: pausas, autocuidado, pedir ajuda.
Equipa: distribuir tarefas de forma justa, alinhar prioridades.
Organização: políticas de apoio, formação de líderes, comunicação clara.
🌱 5. Celebrar Progressos
Marcar vitórias semanais, não só resultados de negócio mas também práticas de cuidado (ex: “esta semana respeitámos os horários de descanso”).
Medir o progresso
Indicadores possíveis:
Satisfação e motivação em inquéritos regulares,
Rotatividade de colaboradores,
Taxa de participação em iniciativas de bem-estar.
Mais importante: ouvir as pessoas e ajustar continuamente.
Quando procurar ajuda
Se, apesar das medidas, persistirem sinais de stress coletivo, rotatividade elevada ou conflitos recorrentes, pode ser necessário apoio externo (consultoria especializada em riscos psicossociais, psicólogos organizacionais).
Um convite
Esta semana, propõe um check-in de bem-estar na tua equipa.
Simples, rápido e humano.
Porque ambientes saudáveis começam em pequenas práticas consistentes.
✨ Mensagem final
Um ambiente saudável não se constrói com slogans ou brindes.
Constrói-se com respeito, cuidado genuíno e políticas que se vivem no dia a dia.
Quando a organização cuida das pessoas, as pessoas cuidam naturalmente da organização.

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