A história do Pedro
Pedro trabalhava há 12 anos na mesma empresa. Conhecia todos os processos, as rotinas e as pessoas.
De repente, uma reestruturação: novos líderes, novos métodos, equipas redistribuídas.
Pedro começou a sentir-se inseguro: “E se não me adaptar? E se perder o meu lugar? Será que ainda sou capaz?”
O medo do desconhecido roubava-lhe energia. Ao fim de semanas, sentia-se mais cansado e desmotivado do que nunca.
Porque a mudança nos desafia tanto?
O cérebro humano adora previsibilidade. Mudança significa incerteza e incerteza ativa o modo de alerta: ansiedade, stress e até resistência.
No contexto profissional, mudanças organizacionais podem gerar:
Queda na motivação,
Conflitos nas equipas,
Sensação de perda de identidade profissional,
Aumento de erros e absentismo.
Mas, quando bem acompanhada, a mudança também pode ser fonte de crescimento, inovação e desenvolvimento pessoal.
O que diz a ciência
Pesquisas mostram que a resiliência, a capacidade de se adaptar e recuperar em tempos desafiantes, é um fator protetor contra o stress e está associada a:
Maior satisfação no trabalho,
Melhor desempenho em ambientes de incerteza,
Menor risco de burnout.
E a resiliência pode ser treinada, tal como um músculo.
O que dizem as Normas ISO
ISO 9001: destaca a importância da comunicação clara e do envolvimento das pessoas durante mudanças de processos e sistemas.
ISO 30414: recomenda medir e gerir o capital humano em períodos de transformação, acompanhando o impacto na motivação e no bem-estar.
ISO 45003: alerta para os riscos psicossociais durante mudanças organizacionais e sugere medidas para apoiar equipas em transição.
Ou seja: mudança não deve ser apenas estratégica, deve ser também humana.
Reflexões para ti
Como costumo reagir às mudanças: resistência, adaptação ou curiosidade?
O que já enfrentei no passado que me mostra que sou capaz de superar esta fase?
Que parte desta mudança está sob o meu controlo?
Exercícios práticos
🌱 1. Diário da Mudança
Todos os dias, escreve 3 coisas:
O que me preocupou hoje.
O que consegui adaptar ou aprender.
Uma pequena vitória, por menor que pareça.
🌱 2. Roda da Resiliência
Desenha um círculo dividido em 4 áreas:
Rede de apoio (quem me apoia?)
Autocuidado (sono, alimentação, movimento)
Propósito (porque faço o que faço?)
Estratégias práticas (como organizo o meu dia?)
Dá uma nota de 0 a 10 em cada área e define onde podes fortalecer.
🌱 3. Técnica STOP
Quando sentir ansiedade na mudança, pratica:
S – Stop (pausa).
T – Take a breath (respira fundo).
O – Observe (o que penso e sinto?).
P – Proceed (segue com clareza e não por impulso).
🌱 4. Reuniões de Clarificação
Se és líder, cria espaços semanais para esclarecer dúvidas e ouvir receios da equipa.
Se és colaborador, pede esses momentos. Comunicação é um dos maiores redutores de ansiedade.
Medir o progresso
No final da semana, pergunta-te:
Sinto-me menos ansioso perante a mudança (0 a 10)?
Que estratégias funcionaram melhor para mim?
Consegui reconhecer pelo menos 1 ganho ou aprendizagem nesta fase?
Quando procurar ajuda
Se a mudança estiver a gerar ansiedade intensa, sintomas físicos (insónia, palpitações, dores) ou sentimentos de desespero, é fundamental procurar apoio médico ou psicológico. Não é sinal de fraqueza, é sinal de autocuidado.
Um convite
Esta semana, experimenta a Roda da Resiliência.
Escolhe uma área para reforçar e dá um micro-passo concreto.
A resiliência constrói-se um passo de cada vez, mesmo nos dias mais turbulentos.
✨ Mensagem final
A mudança é inevitável.
A diferença está em como nos posicionamos diante dela: como ameaça que nos quebra ou como oportunidade que nos molda.
Com resiliência, não só atravessamos as tempestades, aprendemos também a dançar com o vento.

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